Setor produtivo mineiro cobra corte na taxa básica de juros

O setor produtivo mineiro considera o momento ideal para o Banco Central iniciar cortes na taxa básica de juros, a Selic, que na última quarta-feira foi mantida em 6,5% pela décima vez consecutiva pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A atual conjuntura econômica, de estagnação do crescimento, já pede redução na taxa, na avaliação de três das grandes entidades que representam os empresários mineiros: Fiemg, ACMinas e CDL/BH.

Para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), com o atual quadro econômico brasileiro, há espaço para o início de um novo ciclo de redução do juro básico.

“Tendo em vista a debilidade da atividade econômica, exemplificada pela variação negativa de 0,2% do PIB brasileiro no primeiro trimestre e pelos elevados indicadores de ociosidade da capacidade instalada e no mercado de trabalho, faz sentido perguntar se não teria sido mais apropriado iniciar um novo ciclo de redução do juro básico no Brasil”, disse, em nota, Flávio Roscoe, presidente da entidade.

Segundo a Fiemg, o comportamento corrente da inflação ao consumidor e as expectativas inflacionárias são consistentes com o cumprimento da meta do IPCA em 2019 e, possivelmente, no ano seguinte.

“Além disso, há uma predominância de fatores que tendem a resultar em variação dos preços ainda menor. Um exemplo é a desaceleração econômica global, atrelada ao agravamento da tensão comercial entre os Estados Unidos e seus parceiros comerciais, que tem servido como justificativa para a adoção de estímulos monetários e fiscais em outros países”, conclui a análise da Fiemg.

Aguinaldo Diniz Filho, presidente da Associação Comercial de Minas (ACMinas), destaca que a taxa de 6,5% é o menor percentual registrado na série histórica do Copom. “Contudo, perante o resultado referente ao PIB do primeiro trimestre deste ano (involução de 0,2%), o mercado financeiro já sinaliza a favor da redução da Selic. A instrumentalização de uma política monetária expansionista, por meio da ampliação do mercado de crédito, poderia auxiliar na inflexão do atual contexto da atividade econômica do país, isto é, do ambiente de estagnação ou paralisação”, disse, em nota.

Além disso, em sua avaliação, é importante ressaltar que a inflexão ou mudança do desempenho econômico está diretamente ligada, no curto prazo, à reforma da Previdência, que é essencial, segundo ele, para reorganização das contas públicas. “Assim, as esperanças do país e a retomada da confiança se direcionam para o Congresso Nacional, e para a possibilidade de aprovação da reforma”, completou o presidente da ACMinas.

Para Marcelo de Souza e Silva, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), a decisão da última quarta-feira já era esperada pelo mercado, pois, diante da lenta retomada da economia, o Banco Central tem optado por manter os juros no mesmo patamar. “Para os setores de comércio e serviços e toda a cadeia produtiva, é muito importante que os juros, assim como outros indicadores macroeconômicos, permaneçam em patamares mais baixos, criando, assim, um ambiente favorável para expansão dos negócios”, afirmou.

Por isso, apesar de estar no menor patamar desde que foi criada, em 1996, a taxa atual da Selic não é a ideal para o segmento. Para o varejo, a continuidade da queda na taxa de juros é um fator primordial para fomentar o crédito e o consumo, bem como alavancar a atividade econômica.

Segundo ele, a manutenção dos juros em 6,5% pela décima vez, dentro de um contexto econômico que não é dos melhores e com o país ainda com uma alta taxa de desemprego, pode desacelerar ainda mais a melhora desse quadro. “Entendemos que, ao reduzir a taxa Selic, o crescimento econômico seria incentivado, pois os investimentos são estimulados, e é isso que precisamos para conseguir aquecer o mercado de trabalho e voltar para o caminho do desenvolvimento”, disse.

“Esperamos que nas próximas reuniões do Copom seja considerada uma nova redução dos juros. Nossa expectativa também é que o novo governo crie um ambiente interno propício para atração de investimentos produtivos para o país, que gerem emprego e renda”, concluiu o presidente da CDL/BH.

Controlada

Inflação. Segundo relatório do próprio Comitê de Política Monetária (Copom), do BC, a inflação está controlada. Na terça, o comitê reduziu de 4,1% para 3,6% sua projeção de inflação para este ano – bem abaixo da meta de 4,25%.

Fonte: Jornal OTempo – 21/6

 

Relacionadas