Recuo sobre embaixada tranquiliza agronegócio

O recuo do governo em transferir a embaixada brasileira em Israel tranquilizou o agronegócio brasileiro, mas o setor está esperando os detalhes da criação do escritório comercial em Jerusalém para se certificar se os potenciais danos às exportações serão de fato contidos.

Uma fonte graduada do governo avalia que, se o escritório de Jerusalém anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro também tiver atribuições diplomáticas, poderá haver embargos comerciais de fato por parte de países árabes, e não somente ameaças.

Um posicionamento oficial de Palestina sobre a convocação de seu embaixador em Brasília após o anúncio de Bolsonaro também vem sendo aguardado pelo Itamaraty. Os palestinos, porém, não são importantes compradores de produtos agropecuários do Brasil.

Sem compromissos oficiais, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, passou a manhã de ontem atendendo ligações de entidades de classe do agronegócio preocupados com o desfecho da viagem de Bolsonaro a Israel para as vendas externas, principalmente de carne aos países árabes.

"O setor produtivo está me ligando o tempo todo, mas estou pedindo cautela. A gente sabe, e o presidente nunca escondeu de ninguém, que ele tem um carinho especial por Israel, mas temos que ver como isso vai repercutir comercialmente", se limitou a dizer Tereza ao Valor.

No dia 10 de abril, Tereza terá um jantar com embaixadores de países árabes, que já está agendado há semanas, mas onde o escritório em Jerusalém certamente será foco de questionamentos pelos diplomatas. E não descarta uma viagem ao Oriente Médio.

A ministra, que funciona como porta-voz direta do setor agropecuário com Bolsonaro, já recebeu vários embaixadores de países árabes em seu gabinete, desde janeiro.

Outro líder ruralista, que integra o governo e é visto como conselheiro de Bolsonaro, o secretário especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Luiz Antônio Nabhan Garcia, tratou recentemente do tema com o presidente e defendeu um aceno do governo aos países árabes.

"A comunidade árabe pode ficar tranquila e ter convicção de que este governo tem o compromisso mútuo com todos os seus parceiros", afirmou. "O presidente quer essa relação saudável com todos."

Valor – 02/04/19

 

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