Pragas da cana

A obtenção de canaviais com excelência. Essa é a meta do setor para se tornar mais competitivo. Um dos fatores primordiais para alcançar esse objetivo é controlar as pragas da cana. Mundialmente, a lavoura canavieira contabiliza perdas de aproximadamente 20% ao ano, considerando somente o ataque de pragas.

Especialistas na área informam que a cana-de-açúcar pode ser atacada por mais de 80 espécies de pragas, sendo que algumas delas, como nematoides, muitas vezes são observadas nas lavouras somente após terem causado danos, uma vez que são pragas de solo e, por isso, de difícil observação.

A broca-da-cana (Diatraeasaccharalis)se mantém como a principal praga da cultura, em decorrência de sua ampla distribuição pelo país, atingindo as principais regiões produtoras: São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás. E também pela gravidade de seus danos: para uma produtividade de 80 toneladas por hectare, as perdas ocasionadas pela broca para cada 1% de intensidade de infestação são de 616 quilos de cana, 28 quilos de açúcar e 16 litros de álcool, aproximadamente.

Com a extinção do fogo dos canaviais e a palhada que cobre o solo, a broca passou a ter concorrentes de peso, como as cigarrinhas. Os prejuízos causados pela cigarrinha-da-folha têm chegado a 17,5% de perda no processo industrial, quando a população de adultos chega a 0,7 indivíduos por colmo. A espécie Heterotermestenuis pode causar perdas da ordem de dez toneladas por hectare, por ano, sobretudo em solos arenosos. A cigarrinha-da-raiz causa perdas de 11% na produtividade agrícola e 1,5% na produção de açúcar.

Mas o principal concorrente da broca pelo título de pior praga da cana, é o Sphenophoruslevis, conhecido como bicudo da cana. A Praga provoca perdas de 30% a 60% da produtividade, podendo levar a renovação antecipada do canavial. Diferentemente da broca, o Sphenophorus ainda não se espalhou por todas as regiões canavieiras, mas sua incidência é grande no Estado de São Paulo, que responde por 60% da cana produzida no Brasil. O ataque da praga é apontado como uma das razões para a baixa produtividade dos canaviais paulistas.

O S. levis, detectado em muitas áreas de usinas e fornecedores constitui uma grande preocupação pelas proporções que atinge em termos de danos, abrangência e dificuldade de controle. Os dados de levantamentos de campo indicam que, ano após ano, novas áreas são detectadas com a praga e com intensidades de ataque que irão resultar na necessidade de renovações precoces dos canaviais.

Os danos são causados pelas larvas que se abrigam no interior do rizoma e danificam os tecidos. Em consequência pode ocorrer a morte da planta e falhas nas brotações das soqueiras, com perdas de 20 a 30 toneladas de cana/ha/ano. Os seguidos ataques nas áreas de soqueiras e a consequente redução do “stand” da cultura ocasionam perdas cumulativas nos cortes, obrigando a reformas precoces do canavial, que muitas vezes não passam do segundo corte.

Fonte: CanaOnline – 26/07/2018

 

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