Nível do mar sobe 2,5 vezes mais rápido

O aquecimento global destrói os oceanos e as zonas glaciais em alta velocidade, ameaçando populações inteiras, alertou nesta quarta-feira, 25, um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) que convoca a humanidade a reduzir mais rapidamente as emissões de CO2.

Aumento do nível do mar, que subiu 2,5 vezes mais rapidamente no século 21, pequenas ilhas ameaçadas de submersão e geleiras que desapareceram são alguns dos impactos devastadores das mudanças climáticas já consideradas "irreversíveis", afirmou o grupo de especialistas em clima da Organização das Nações Unidas (ONU) depois de se reunir durante cinco dias em Mônaco.

Dois dias após a Cúpula do Clima, em Nova York, em que os resultados esperados pelos defensores do meio ambiente não foram obtidos, o relatório enfatizou que medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa podem fazer uma grande diferença.

Ao reduzir as emissões, as mudanças prejudiciais aos oceanos não parariam subitamente, mas diminuiriam. Dessa forma, "haveria mais possibilidades de conservar ecossistemas e permitir que se ganhasse tempo", disse a climatologista Valérie Masson-Delmotte, que participou da elaboração do documento de 900 páginas do IPCC.

"Ganhar tempo" para, por exemplo, preparar-se para o aparecimento de águas que provocam tempestades e ondas gigantes. Como? Com a construção de diques ao redor de grandes cidades costeiras, como Nova York, ou a antecipação da retirada inevitável de populações em risco, especialmente de pequenos Estados insulares que podem se tornar inabitáveis até o fim do século.

Nível dos oceanos

O ritmo de crescimento do nível dos oceanos foi 2,5 vezes mais rápido no início do século 21 do que foi no século 20 - e o aumento continuará.

Não é um "problema técnico ou ambiental". "Não podemos colocar um Band-aid para que ele desapareça", escreveu outro autor do relatório, Bruce Glavovic, da Universidade Massey, na Nova Zelândia.

"Isso redefinirá as costas do mundo, onde as populações estão concentradas."

Nesses litorais, a construção de proteções poderia reduzir o risco de inundações de uma em 100 para uma em 1.000, mas custaria "entre dezenas e centenas de bilhões de dólares por ano", segundo o relatório.

Essas proteções, no entanto, serão mais eficazes nas grandes metrópoles costeiras do que nos grandes deltas agrícolas ou pequenos Estados insulares, que não terão os recursos financeiros para realizar essas obras.

De acordo com o informe, até meados do século, mais de 1 bilhão de pessoas viverão em áreas costeiras baixas, vulneráveis a inundações e outros eventos climáticos extremos potencializados pela elevação do nível do mar e pelas alterações climáticas.

Fonte: Estado de SP – 25/9

 

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