Como estão os preços do açúcar nos mercados interno e externo

As negociações do açúcar cristal no mercado spot de São Paulo estiveram em ritmo mais lento em junho, de maneira geral. O patamar médio do Indicador do Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ (estado de São Paulo) esteve em R$ 76,00 por saca de 50 kg, sendo que a média do mesmo mês do ano passado foi de R$ 66,38/saca de 50 kg – valores deflacionados pelo IGP-DI base maio/20. O aumento do volume direcionado para as exportações tem contribuído para a sustentação dos valores domésticos neste ano. Porém, no acumulado de junho, o Indicador recuou 0,87%, fechando a R$ 76,12/saca de 50 kg no dia 30.

Nas duas primeiras semanas do mês, o mercado doméstico havia recuperado a vantagem sobre o externo. A partir da segunda quinzena, porém, com a valorização do dólar frente ao Real, cálculos do Cepea mostraram que as exportações do açúcar cristal voltaram a remunerar mais que as negociações internas.

Com relação ao andamento da safra 2020/21, o clima seco tem contribuído para o bom desempenho dos trabalhos nas lavouras paulistas. Segundo a Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), de abril até a primeira quinzena de junho deste ano, usinas de São Paulo moeram 114,905 milhões de toneladas de cana, volume 14,47% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A tendência de uma temporada mais açucareira vem se consolidando até o momento, com 51,53% da cana alocada para a produção do adoçante no estado de São Paulo. O total de açúcar produzido no período foi de 7,364 milhões de toneladas, volume 58,74% maior em relação a igual período do ano passado.

Quanto ao mercado nordestino, apresentou lentidão nas negociações em junho, mas os preços seguiram firmes. A oferta do açúcar está restrita, com algumas usinas priorizando as exportações. As aquisições na região Centro-Sul do País por alguns compradores nordestinos também continuam ocorrendo nesta entressafra.

Em junho, o Indicador mensal do açúcar cristal CEPEA/ESALQ em Pernambuco foi de R$ 85,20/sc de 50 kg, avanços de 1,72% frente a maio/2020 e de 11,66% em relação a junho/2019, em termos nominais.

Em Alagoas, o Indicador mensal foi de R$ 84,47/sc, altas de 0,86% na comparação com o mês anterior e de 13,22% frente a junho/2019, também em termos nominais. Na Paraíba, o Indicador mensal do cristal CEPEA/ESALQ foi de R$ 83,12/sc, elevações de 0,98% na comparação mensal e de 10,02% na anual.

No cenário internacional, a valorização do açúcar demerara em junho foi influenciada pelo maior otimismo no mercado financeiro global, com a reabertura econômica nos principais países do mundo, o que pode reverter o cenário de baixa dos preços internacionais dos combustíveis. A demanda aquecida pelo açúcar brasileiro também influenciou a alta dos valores externos. Porém, o demerara se desvalorizou na última semana do mês, devido à queda no preço do petróleo e à apreciação do dólar frente ao Real. Vale lembrar que o mercado está atento à produção de açúcar na Índia na próxima temporada mundial 2020/21, que pode crescer 17,7%, de acordo com dados da Associação Indiana das Usinas de Açúcar.

Outro fator que pode pressionar os valores são os efeitos negativos da pandemia do coronavírus sobre o consumo mundial de açúcar. Cálculos do Cepea indicaram que as vendas externas do açúcar remuneraram, em média, 0,98% a mais que as internas em junho. Esse cálculo considera o valor médio do Indicador CEPEA/ESALQ e do vencimento julho/20 na Bolsa de Nova York (ICE Futures), prêmio de qualidade estimado em US$ 56,30/tonelada e custos com elevação e frete de US$ 41,71/tonelada. Segundo a Secex, o Brasil exportou 3,004 milhões de toneladas de açúcares e melaços em junho, 95,19% a mais que o volume embarcado no mesmo mês de 2019, de 1,539 milhão de toneladas.

A receita obtida com a exportação foi de US$ 812,654 milhões, 5,68% superior aos US$ 768,924 milhões obtidos em maio e 80,47% maior que a receita registrada em junho do ano passado, de US$ 450,283 milhões. A forma de divulgação do levantamento foi alterada, não informando mais os volumes embarcados de açúcar refinado e bruto separadamente. Os dados consideram os 21 dias úteis de junho.

 

Fonte: Cepea-Esalq/USP – Canaonline – 07/07

 

 

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